O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) iniciou, na última sexta-feira (12), uma campanha nas redes sociais com o objetivo de denunciar perfis que, segundo ele, teriam “relativizado” ou “debochado” da morte de Charlie Kirk, militante de extrema-direita dos Estados Unidos assassinado recentemente.

À primeira vista, a mobilização poderia parecer uma defesa da memória de Kirk. No entanto, o recado de Nikolas é outro: “enterrar” o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no dia 11 pela Primeira Turma do STF a 27 anos de prisão por liderar uma organização criminosa e tentar um golpe de Estado no Brasil.
Com essa movimentação, Nikolas Ferreira demonstra que consegue mobilizar campanhas sem precisar usar a imagem de Bolsonaro, envolvendo empresas como Vogue e PUC-RS, além de pautar as redes sociais e atrair atenção de parte da imprensa.
A campanha se espalha de forma difusa e atinge profissionais de saúde, universidades públicas, artistas e instituições, reforçando a narrativa de que o país estaria tomado por uma suposta “ideologia de esquerda” que deveria ser combatida.
“O movimento começou: demita os verdadeiros extremistas de sua empresa. Denuncie”, escreveu Nikolas em seu perfil no X.
Em outra publicação, ele atacou diretamente as universidades brasileiras:
“As universidades brasileiras têm formado pessoas que desejam, concordam ou incentivam matar inocentes por desavença política. Isso não é só hipocrisia — é a engenharia social que transforma assassinos potenciais em defensores da paz e canalhas em intelectuais críticos. A universidade, em vez de templo do saber, virou laboratório de degeneração moral.”
O movimento incentivado por Nikolas tem se espalhado sob hashtags como “demita um esquerdista”, onde é possível encontrar postagens de pessoas afirmando que não vão atender clientes de esquerda ou até mesmo publicações criminosas acusando profissionais do SUS de negligenciar atendimentos a eleitores de direita.
Nikolas não está sozinho. O movimento conta com o apoio do MBL (Movimento Brasil Livre) e de seu líder Renan Santos, que defendeu a criminalização de ideias de esquerda.
A intenção desse grupo, segundo analistas, é dupla:
- Marcar distância de Bolsonaro, deixando-o em segundo plano;
- Radicalizar a política, corroendo o contrato social e promovendo o caos como estratégia de poder.
Essa estratégia não é inédita: foi usada por líderes da extrema direita na Itália, que se fortaleceram a partir da disseminação do medo, do ódio e do caos social.
Hoje, no Brasil, Nikolas Ferreira e aliados tentam reproduzir esse modelo, usando discursos agressivos contra a esquerda e defendendo a perseguição de adversários ideológicos como forma de consolidar uma nova fase da extrema direita.
