O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizaram uma videoconferência de 30 minutos nesta segunda-feira (6), em uma tentativa de reaproximação diplomática entre os dois países. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa foi amistosa e produtiva, com foco na retirada da sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros e nas sanções impostas a autoridades nacionais.

Durante o diálogo, Lula pediu a suspensão das medidas restritivas aplicadas por Washington e defendeu a necessidade de reconstruir as relações entre Brasil e EUA. Os líderes trocaram contatos diretos e acordaram um encontro presencial em breve, possivelmente ainda neste mês, durante a Cúpula da Asean, na Malásia.

Segundo fontes do governo, o presidente brasileiro também convidou Trump para participar da COP-30, em Belém (PA), e se colocou à disposição para uma visita oficial aos Estados Unidos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o encontro como “positivo”, destacando que a chamada foi articulada ao longo do fim de semana.

O Planalto informou que Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para continuar as tratativas com Geraldo Alckmin, Mauro Vieira e Fernando Haddad. Também participaram da conversa Celso Amorim e Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação.

Nas redes sociais, Lula afirmou que a conversa representa uma “oportunidade para restaurar 201 anos de relações amistosas entre as maiores democracias do Ocidente”.

O diálogo ocorre após uma fase de tensão diplomática. Em julho, o governo Trump impôs tarifas adicionais de 40% sobre produtos brasileiros e aplicou sanções ao ministro Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, alegando violações de direitos humanos e ataques ao Estado de Direito no Brasil.

A Casa Branca também havia estendido punições a outros ministros do STF, membros do governo e familiares, incluindo restrições de vistos. Segundo fontes do Itamaraty, a videoconferência teve como principal objetivo “reabrir a porta do diálogo” e sinalizar disposição política para reduzir o impasse entre os dois países.

Com o tom diplomático retomado, o governo brasileiro espera avançar nas negociações comerciais e restabelecer o equilíbrio das relações bilaterais, mantendo a prudência nas próximas etapas para evitar novos atritos.