
A CPI mista do INSS aprovou nesta quinta-feira (9) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de dirigentes e ex-integrantes do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada no mesmo dia. A medida aprofunda as investigações sobre um suposto esquema de descontos fraudulentos em benefícios previdenciários.
Entre os alvos estão o atual presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como Milton Cavalo, e sua esposa, Daugliesi Giacomasi Souza. Ambos tiveram os sigilos quebrados e foram alvos de busca e apreensão pela PF. O ex-presidente da entidade, João Batista Inocentini, morto em 2023, também foi incluído na lista de investigados.
Segundo documentos da Dataprev, entre 2020 e 2025 o Sindnapi recebeu R$ 507,5 milhões em descontos associativos de aposentados e pensionistas, sendo o terceiro maior destinatário do país nesse tipo de repasse. O vice-presidente do sindicato, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não foi alvo da operação nem da CPI.
Em nota, o Sindnapi afirmou ter sido surpreendido pela operação e negou qualquer irregularidade, declarando “repúdio às acusações de práticas ilícitas” e prometendo comprovar a legalidade de suas ações.
A comissão também convocou o lobista Danilo Trento, suspeito de ligação com o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, afastado por determinação judicial. A PF aponta que Trento teria pago passagens aéreas para o ex-dirigente e usado áreas restritas do aeroporto de Congonhas para movimentar valores suspeitos.
Trento já havia sido investigado pela CPI da Covid no Senado por suposto envolvimento em fraudes na compra de vacinas.
Outros nomes também foram convocados: Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis, acusado de movimentar R$ 5,2 milhões em nome do pai; e Anne Carolline Wilians Vieira, esposa do advogado Nelson Wilians, apontado como operador de um braço do esquema de desvio de recursos de aposentados.
Paralelamente, a CPI rejeitou, por 17 votos a 13, a quebra de sigilo do advogado Paulo Boudens, ex-chefe de gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Boudens é citado em transferências suspeitas de uma empresa ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
A decisão dividiu o colegiado. Aliados do governo atuaram para barrar a medida, alegando que a oposição tentava atingir Alcolumbre e desviar o foco das apurações centrais.
Boudens, que foi acusado em 2021 de operar um esquema de “rachadinha” no gabinete de Alcolumbre, hoje ocupa cargo no Conselho de Estudos Políticos do Senado, com salário mensal de R$ 31 mil.
As novas medidas marcam uma ampliação significativa da CPI, que busca desvendar como recursos destinados a aposentados e pensionistas foram desviados por meio de entidades sindicais e contratos suspeitos.
