
Uma grande operação foi montada para conter e investigar o incêndio que já devastou mais de 77 mil hectares na Chapada dos Veadeiros, região nordeste de Goiás. Segundo o Painel do Fogo, do Governo Federal, as chamas começaram há nove dias em Cavalcante e se espalharam por Alto Paraíso de Goiás e Colinas do Sul, atingindo áreas que equivalem a mais de 100 mil campos de futebol.
Imagens de satélite captadas pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) indicam os possíveis pontos de origem do fogo. As equipes agora trabalham em campo para confirmar as causas e identificar responsáveis. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar se o incêndio teve origem criminosa.
De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 165 brigadistas atuam na linha de frente — entre bombeiros, servidores do ICMBio e voluntários. O comandante do instituto afirmou que reforços de 20 brigadistas do Rio de Janeiro e 10 do Pará estão a caminho.
“Estamos aumentando o efetivo para eliminar os focos e impedir que novas queimadas se iniciem por causa da queima de roça descontrolada”, destacou.
Cavalcante concentra uma das áreas mais atingidas, com 27 mil hectares destruídos, principalmente nas regiões da Fazenda Mato Verde, Fazenda Brejo e povoado da Rocinha. O terreno acidentado e os ventos fortes dificultam o combate e favorecem a reignição das chamas. Apesar de boa parte do incêndio estar controlada, focos isolados ainda exigem atenção contínua.
Em Colinas do Sul, o fogo ameaça uma Área de Preservação Permanente (APP) próxima ao Rio Preto e à Subestação de Energia Serra da Mesa II. Aproximadamente 60 mil hectares de áreas protegidas estão em risco. Os bombeiros trabalham com aceiros e rescaldo, contando com o apoio logístico de fazendeiros locais que fornecem equipamentos e insumos.
Já em Alto Paraíso de Goiás, as equipes atuam nos arredores do Parque Estadual Águas do Paraíso. A frente de fogo que ameaçava o parque foi contida, mas outra frente oposta ainda segue ativa. A expectativa é de que os últimos focos sejam extintos até esta segunda-feira (6).
As autoridades seguem em alerta para evitar que o fogo avance sobre o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, área de 240 mil hectares de Cerrado protegido e reconhecida como patrimônio natural.
A Semad reforçou que o trabalho de monitoramento via satélite e o combate em solo serão mantidos até a eliminação total dos focos, com ações paralelas de prevenção e responsabilização criminal caso seja confirmada a ação humana no início do incêndio.
