Dois dos 14 brasileiros que participavam da missão humanitária Global Sumud Flotilla, interceptada por militares israelenses nesta quarta-feira (1º), continuam desaparecidos. A informação foi confirmada pela delegação brasileira do grupo.

Segundo o comunicado, 12 brasileiros foram detidos e levados para o porto de Ashdod, em Israel, a bordo do navio militar MSC Johannesburg. Entre eles estão a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), a vereadora Mariana Conti (PSOL-SP), além de outros ativistas e militantes ligados a movimentos sociais.

Os desaparecidos são João Aguiar e o cineasta carioca Miguel Viveiros de Castro. De acordo com a delegação, o veleiro em que João viajava foi atingido por jatos de água com mau cheiro, o que danificou os equipamentos de comunicação. Desde então, não houve mais contato com a embarcação, embora o rastreador tenha indicado que o barco chegou a entrar em águas de Gaza. Já no caso de Miguel, presume-se que a embarcação tenha sido interceptada, em razão do bloqueio de comunicações imposto pelas forças israelenses.

A coordenadora da delegação brasileira, Lara Souza, cobra explicações imediatas: “Exigimos a confirmação nominal dos cidadãos brasileiros detidos e o esclarecimento sobre o paradeiro de João Aguiar.”

Familiares dos desaparecidos relatam desespero e cobram apoio das autoridades brasileiras. “A incerteza é devastadora, cada minuto sem notícias é uma tortura”, disse a família de Miguel.

Em nota, o Itamaraty condenou a ação militar israelense, afirmando que ela viola direitos e coloca em risco a integridade física de manifestantes em missão pacífica. A pasta, no entanto, ainda não detalhou quais medidas adotará para garantir assistência consular e jurídica aos brasileiros.

A delegação da flotilha também denunciou que os procedimentos realizados em Ashdod seriam ilegais, sem acesso de advogados ou apoio diplomático.