Willian Silva Marques, de 36 anos, apontado como dono de um imóvel usado por criminosos no assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, foi ouvido nesta segunda-feira (22) pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo.

Ele se apresentou à polícia na madrugada de domingo (21), acompanhado de um advogado, e teve a prisão temporária decretada por 30 dias, prorrogáveis por igual período. Essa já é a quarta prisão relacionada ao crime.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), Willian afirmou ter alugado a residência em Praia Grande para uma pessoa identificada apenas como “Luiz”. No entanto, ele não apresentou contrato, mensagens ou qualquer comprovante que sustente sua versão.

A casa, equipada com piscina e churrasqueira, foi o primeiro local a ser periciado por suspeita de ter servido como base da quadrilha. No imóvel, peritos encontraram 41 vestígios genéticos, incluindo do irmão de Willian, que é policial militar e já foi ouvido, mas não é investigado.

Além do dono do imóvel, outras três pessoas já estão presas: Dahesly Oliveira Pires, Luiz Henrique Santos Batista, conhecido como “Fofão”, e Rafael Marcell Dias Simões, o “Jaguar”. Outros três suspeitos seguem foragidos: Felipe Avelino da Silva, apelidado de “Mascherano”, Flávio Henrique Ferreira de Souza e Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, apontado como mandante de parte da operação criminosa.

Ruy Ferraz Fontes foi executado no dia 15, logo após deixar seu expediente como secretário de Administração de Praia Grande. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que três homens armados de fuzis saíram de uma caminhonete e dispararam contra o carro do ex-delegado.

Com mais de 40 anos de carreira na Polícia Civil, Ruy foi delegado-geral de São Paulo entre 2019 e 2022. Reconhecido pela atuação no combate ao crime organizado, ele esteve à frente de investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) desde os anos 2000, quando chefiava a 5ª Delegacia de Roubo a Bancos do Deic.

Durante os ataques de maio de 2006, teve papel importante no enfrentamento da facção criminosa. Também foi responsável pela transferência de líderes do PCC para presídios federais, estratégia que visava enfraquecer o grupo dentro das cadeias.

Formado em Direito, com pós-graduação em Direito Civil, participou de cursos no Brasil e no exterior, além de atuar como professor de Criminologia e Direito Processual Penal. Desde janeiro de 2023, ocupava o cargo de secretário de Administração em Praia Grande.

A SSP-SP informou que as forças de segurança continuam mobilizadas para identificar e capturar todos os envolvidos no crime.